segunda-feira, 16 de setembro de 2013

José Maria Hermano Baptista



O conhecimento da vida do Combatente da Grande Guerra, 1º Cabo promovido a 2º Sargento Miliciano em 22 de Março de 1918, José Maria Hermano Baptista, pelo autor do livro, surge em 2002, na Escola Prática de Infantaria durante a Exposição “Imagens da 1ª Guerra Mundial”.

Este trabalho, resultante de cuidada e oportuna pesquisa, foi desenvolvido pelo Coronel de Infantaria, Madaleno Geraldo, na disciplina de História Militar I, integrada no curso de mestrado em História Militar, realizado na Universidade dos Açores em parceria com a Academia Militar, pela forma como está apresentado e pelo tema mereceu publicação pela Editora Prefácio, coleção His­tória Militar.

O Historiador, Professor, José Hermano Sa­raiva, sobrinho e afilhado do Sargento Hermano Baptista, preparou o Prefácio, momento muito especial que valoriza a obra e lhe dá um toque sentimental de rara oportunidade.

O livro descreve a vida do Combatente da Grande Guerra (1914/1918), português sensa­cional que soube viver em três séculos, 1895 a 2002, que ao ser questionado, aos 106 anos, numa homenagem que lhe foi prestada na EPI, sobre os motivos que permitiram atingir tal idade, respondeu: “Em primeiro lugar não ser invejoso; segundo não ser ambicioso, demasiado ambicioso; terceiro, sempre que pos­sível fazer o bem; quarto, evitar fazer o mal, e em quinto e último lugar, seguir alguns dos princípios religiosos.”

Hermano Baptista foi ferido na Batalha de Lys, depois de algum tempo hospitalizado em Wesel foi prisioneiro de guerra no campo de concen­tração de Friedrichsfeld, Maio a Dezembro, lembrando esse período por forma muito especial de aceitação, diz‑nos: “Afinal os alemães não eram aqueles ‘terríveis’ Boches que nos tinham habituado a tanto temer. Não só não nos fizeram mal como até me olhavam pesarosamente dizendo: Kaput? E lá seguiram o seu caminho avançando com as suas metralhadoras ligeiras sempre protegidos pela artilharia que lhes ia limpando o caminho”, expli­cando, Os alemães do tempo do Kaiser Guilherme II não eram os mesmos do tempo do famigerado Hitler. Se fossem tinham acabado comigo.

O trabalho de mestrado do Coronel Madaleno Geraldo descreve o regresso a Portugal dos heróis nacionais, que foram defender a liberdade do mundo em França, como acontecimento para esquecer pela forma miserável como se preparou a recepção dos militares que só não morreram por milagre.

A iniciativa do estudo e esforço de publicação das memórias do 2º Sargento Miliciano, José Maria Hermano Baptista, constituem importante trabalho que importa conhecer, estudar e divulgar, no sentido de procurar outros valores militares desenvolvidos na Grande Guerra, que se encontram esquecidos, e por certo enriqueciam a História Militar dessa época.

A Revista Militar agradece ao Coronel de Infantaria, José Custódio Madaleno Geraldo, o exemplar enviado para a sua Biblioteca e felicita a Prefácio – Edição de Livros e Revistas Lda, por mais esta contribuição para divulgar a História Militar Portuguesa.

António de Oliveira Pena
Coronel, Director‑Gerente do Executivo da Direcção da Revista Milita

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