quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Cruz De Combate da Força Expedicionária Brasileira – FEB

Cruz de Combate II Classe e Distintivo da Cobra Fumando
A FEB (Força Expedicionária Brasileira) foi criada por decreto em janeiro de 1943 pelo governo de Getúlio Vargas. A mobilização de uma força expedicionária que pudesse ir guerrear nos campos europeus respondia a dois objetivos principais do governo brasileiro: por um lado, atendia a mobilização popular que pressionava o governo por uma ação concreta em defesa do território nacional e frente a agressão imposta pelas forças alemãs ao naufragarem navios de bandeira brasileira, primeiro na costa dos EUA e, posteriormente, na costa brasileira; Por outro lado, a mobilização de uma força e a possibilidade de envia-la além mar servia de pressão junto ao governo dos Estados Unidos para o fechamento de contratos de aquisição de material bélico para as forças armadas brasileiras.

Após meses de preparação, o primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira parte para a Itália em julho de 1944. A Cruz de Combate foi criada através do Decreto N. Seguindo a tradição da medalhistica militar, foi criado, através de decreto lei 6795 de 17 de agosto de 1944, o mesmo que criou também a Medalha de Campanha da Força Expedicionária Brasileira. [1]

A Cruz de Combate foi criada para distinguir atos de bravura entre os militares da Força Expedicionária Brasiliera. Na história da medalhistica militar brasileira, a última condecoração concedida por bravura foi a Medalha de Bravura da Guerra do Paraguai (1865-1870). A Cruz de Combate foi divida em duas classes: a 1ª Classe, originalmente dourada; e a 2ª Classe, originalmente prateada.

A Cruz de Combate de 1ª Classe deveria ser concedida a todos os soldados que praticassem atos considerados de bravura e sacrificio no teatro de guerra. Existiu também a possibilidade desta medalha ser concedida a uma unidade como um todo (uma citação, por exemplo, como ocorreu com a Cruz de Guerra francesa  que foi concedida a algumas unidades norte-americanas durante a II Guerra Mundial).
A Cruz de Combate de 2ª Classe deveria ser concedida a feitos excepcionais praticados em conjunto por vários militares. Os critérios das medalhas são sempre subjetivos e instigam a várias questões: quantas medalhas foram concedidas? Quantas foram dadas a oficiais e quantas foram dadas para soldados? Existiu uma preocupação nesse sentido pelo alto escalão da FEB?

Não sabemos exatamente quantas cruzes de 1ª ou 2ª classe foram concedidas durante a II Guerra Mundial.  As informações ainda são escassas, mas podemos fazer uma estimativa. No livro O Paraná na FEB, o veterano Agostinho José Rodrigues lista que 52 combatentes do estado do Paraná foram agraciados com a Cruz de Combate de 1ª Classe e 32 combatentes receberam a Cruz de Combate 2ª Classe. [2] Podemos estimar que entre 1500 e 1700 Cruz de Combate de ambas as classes foram distribuidas aos combatentes brasileiros.

Algumas medalhas foram entregues ainda na Itália. Em cerimônia efetuada em 19 de maio de 1945 foram entregues algumas Medalhas de Guerra e Cruzes de Combate a oficiais e praças. Outras cerimonias foram efetuadas ainda na Itália, em geral, destinadas a entrega de condecorações a oficiais. [3] Com o regresso para o Brasil, houve algumas cerimônias privadas em unidades militares para a entrega de condecorações. Mas como a maioria dos integrantes da Força Expedicionária Brasileira eram voluntários e reservistas, muitas medalhas foram entregues, no final da década de 1940, para as associações regionais de veteranos. Estas associações ficaram responsaveis pela distribuição das medalhas.

A Cruz de Combate de 1ª Classe - De prata dourada, formada por uma Cruz de Malta, maçanetada de oito pérolas, no anverso, contornada de um filete em relevo, com 1 milímetro de largura, nos intervalos dos ramos resplendor canelado, formando um quadrado com uma ponta em cada vão, a cruz carregada no centro de um disco com cinco estrelas na disposição do Cruzeiro do Sul tendo em torno uma coroa de louro, tudo em relevo.
Ao alto, por traz da cruz, pequena argola, presa a duas garras, uma na cruz, outra em um emblema composto de uma âncora e de um canhão passados em cruz e de quatro bandeiras e quatro fuzis, dois fuzis e duas bandeiras em cada lado, carregados de um globo geográfico, sobrecarregado das letras maiúsculas: F E B alinhadas, tudo lavrado em relevo, tendo ainda por trás uma garra com uma argola para prender a fita.
No reverso as legendas alinhadas: ESTADOS UNIDOS DO BRASIL; logo abaixo: relevo, sendo a palavra primeira abreviada: em seguimento virão gravados o nome do combate lembrado e a data em que foi praticado o ato de bravura.
Fita de seda chamalotada de vermelho com bordadura verde nos lados.

A Cruz de Combate de 2ª Classe – em tudo semelhante a de 1ª Classe, sendo porém, de prata e tendo no reverso: “2ª Classe” em lugar de “1ª Classe”. Abaixo, imagens da Cruz de Combate II Classe, lembrando que o modelo de I Classe é similar:


Cruz de Combate II Classe – Modelo original

No modelo acima, é possível perceber a bela pátina no metal da medalha. O aspecto “negro” do metal dá um tom de antiguidade para a peça, insuperável frente a qualquer falsificação/reposição.
Muitos militares receberam também os diplomas das referidas condecorações. Abaixo, modelo de diploma da Cruz de Combate de 2a Classe:

Diploma da Medalha Cruz de Combate de II Classe

MODELOS DE REPOSIÇÃO
Como todas as medalhas da FEB, as Cruzes de Combate também possuem modelos de reposição, ainda fabricados atualmente. Abaixo, vemos a comparação de um modelo original com outro de reposição:


Comparação da parte da frente – Cruz de Combate II Classe
A esquerda temos o modelo original que ilustra este artigo. À direita, o modelo de reposição. Temos duas considerações iniciais sobre a diferença entre os dois modelos e que são perfeitamente perceptiveis ao olhar atencioso.

1). O espaço entre o globo e a âncora no modelo original é vazado; no modelo de reposição é junto;
2). A medalha de reposição não possui o olhar acima dos feixes do globo. Em alguns modelos de reposição, este olhal existe. Ficar atento a este detalhe.

Estas são as duas caracteristicas mais aparentes em uma análise inicial. É possivel perceber ainda as sutilizas da cunhagem antiga e da cunhagem moderna. A antiga, de melhor qualidade que a moderna. Importante lembrar que os modelos de reposição não possuem patina. A patina é um processo natural que ocorre em muitos metais, sobretudo aqueles que possuem prata na liga do metal. A medida que o tempo passa, a patina vai deixando o metal mais escurecido. As medalhas de reposição carecem desta caracteristica, que pode ser encontrada em alguns modelos originais.


Comparação da parte de trás – Cruz de Combate II Classe
Aqui a diferença é perceptivel também. É posivel notar que a inscrição Cruz de Combate II Classe difere do modelo original para o modelo de reposição. A principal diferença é quanto aa posição da inscrição. É possivel ainda perceber diferenças nas letras empregadas na inscrição. Acima, enxergamos perfeitamente o solido bloco formado pela ancora e pelo globo, na medalha de reposição. Abaixo, closes de ambas as medalhas:


Exemplar Original da Cruz de Combate II Classe – CC2

Exemplar de reposição – Cruz de Combate II Classe – CC2
Assim, é possivel distinguir com clareza as diferenças entre os modelos originais e de reposição. No entanto, é necessário ressaltar, os modelos de reposição não são considerados falsificações. Estes modelos não foram concebidos para enganar colecionadores ou principiantes inexperientes. Seu objetivo inicial foi prover os veteranos que não possuiam mais suas medalhas com os chamados modelos de reposição, ou seja, medalhas iguais as antigas, porem fabricadas atualmente. No entanto, veremos abaixo algumas falsificações que apareceram recentemente no mercado.


FALSIFICAÇÕES DA CRUZ DE COMBATE

Falsificações são peças fabricadas ou transformadas com o objetivo de se passarem por peças originais. Em geral, o objetivo maior do falsificador é enganar um comprador potencial e vender o item falsificado pelo preço de mercado de um item original. Muitas vezes, o fasificador vende por um valor abaixo do valor de mercado. Neste caso, o falsificador lucra, mas o colecionador perde, pois pagou caro por um item que nada vale, a não ser como réplica.
O colecionismo de peças da FEB ganhou, nos ultimos anos, muitos adeptos. Por volta de 2004/2007 eram poucos os colecionadores e itens da FEB eram comprados nas feiras de antiguidades e mercados de pulgas por alguns reais. Atualmente, houve uma explosão desse nicho de colecionismo e alguns itens chegam as dezenas de reais.
Porque houve o súbito interesse pela FEB nos ultimos anos? Provavelmente, este interesse tem relação com o crescimento do estudo da II Guerra Mundial em geral. A literatura em português sobre a guerra tem crescido a cada ano. Se tornaram frequentes também os documentários e reallity shows relacionados à temática militar nos ultimos anos. Vivemos um surto de interesse sobre a II Guerra Mundial comparável à déada de 1970, quando um grande numero de obras foi tradzido e lançado em português.
O crescimento do nicho FEB no colecionismo parece ter atraído olhares indesejosos: as falsificações surgem em momentos de euforia e de aumento de demanda no mercado, justamente em busca de colecionadores principiantes que, na euforia de achar que estão perto de uma peça rara, acabam investindo uma soma grande em uma peça ruim.
Alguns meses atrás recebi estas imagens de duas cruzes de combate. Embora as imagens estejam ruins, é possivel identificarmos algumas caracteristicas de modelos de reposição nestas medalhas. Minha opinião é de que foram ‘adaptadas’ para se parecerem com os modelos originais:
 

Cruz de Combate 1a Classe – FALSA

Cruz de Combate 2a Classe – FALSA
Minha opinião é que ambos os modelos foram modificados para parecerem-se com os modelos originais. É perceptivel que o falsificador tentou remover o metal entre o globo e a ancora de ambas as medalhas. O metal está com um aspecto envelhecido falso, provavelmente por uso de algum material corrosivo ou mesmo alguma lixa, para dar um aspecto de envelhecido. No entanto, é perceptível o caracter avalso deste ‘envelhecido’.
Neste caso, percebe-se a falta de patina no metal, sobretudo no modelo de II Classe. Se a medalha fosse original, o próprio processo a que foi condicionada teria eliminado esta pátina. O processo também atingiu as fitas, que foram costuradas para parecerem velhas.
É o primeiro caso que vejo de falsificação de medalhas da FEB.
O conhecimento é a melhor arma do colecionador.
[1] Decreto-Lei 6795 de 17 de agosto de 1944.
[2] RODRIGUES, Agostinho José. O Paraná na FEB. Imprensa Oficial do Paraná. Curitiba. 2006. p. 315-318.
[3] MORAES, Mascarenhas J. B. A FEB pelo seu comandante. 2a Edição revista e Ampliada. Junho de 1960. p. 286-287.


Fontes: http://frontantiguidades.com/
http://memoriasdofront.blogspot.com.br/
Texto: Fernanda Nascimento

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