sábado, 11 de julho de 2015

Força Naval Sul e Nordeste - Brasil 2ª Guerra Mundial

A criação da Força Naval do Nordeste (FNNE), pelo Aviso nº 1.661, de 5 de outubro de 1942, foi parte do rápido e intenso processo de reorganização das nossas forças navais para adequar-se à situação de conflito. Sob o comando do então Capitão-de-Mar-e-Guerra Alfredo Carlos Soares Dutra, a recém-criada força foi inicialmente composta pelos seguintes navios: Cruzadores Bahia e Rio Grande do Sul, Navios-Mineiros Carioca, Caravelas, Camaquã e Cabedelo (posteriormente reclassificados como corvetas) e os Caça-Submarinos Guaporé e Gurupi. Receberia ainda navios que acabavam de ser prontificados pelos nossos estaleiros e várias escoltas anti-submarino cedidas pelos norte-americanos; constituindo-se na Força-Tarefa 46 da Força do Atlântico Sul, subordinada a 4ª Esquadra Norte-Americana, reunindo a nossa Marinha com a Marinha dos Estados Unidos da América, que já lutava contra a ameaça submarina desde 1941. A atuação conjunta com os norte-americanos trouxe meios navais e armamentos mais adequados à guerra anti-submarina, proporcionando também o indispensável treinamento para o nosso pessoal, habilitando-os a operarem navios modernos com meios de detecção pouco conhecidos até então, como o sonar.

Mas não só no Nordeste fazia-se sentir a ação da Marinha do Brasil. A 25 de agosto de 1942, pelo Aviso 1351, foi criado o Grupo de Patrulha do Sul, incorporando inicialmente os antigos contratorpedeiros Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Sergipe. Mais tarde, foram substituídos pelo Contratorpedeiro Maranhão e os navios-mineiros, classificados como corvetas Cananéia e Camocim. A 24 de abril de 1944, pelo Aviso 597, o Grupo Patrulha do Sul foi transformado em Força Naval do Sul, mantendo o Contratorpedeiro Maranhão e incorporando, no lugar das corvetas da classe C (transferidas para a Força Naval do Nordeste), as da classe Felipe Camarão, e mais a Corveta Jaceguai. 

A ação prioritária para a Marinha do Brasil era a escolta dos comboios de navios mercantes, e nesta missão cada navio mercante que chegava ao seu porto de destino em segurança era uma vitória alcançada. Vitórias diárias e silenciosas, que não produziram manchetes nos jornais, mas mantiveram abertas as vias de comunicação marítima no Atlântico Sul, provendo os Aliados de materiais estratégicos essenciais para o esforço de guerra e mantendo a economia nacional abastecida. Contudo, esta guerra cotidiana e silenciosa, incluiu 66 ataques de navios de guerra brasileiros a submarinos registrados pelos próprios alemães e custou inúmeras vidas. As perdas brasileiras na guerra marítima somaram 30 navios mercantes e três navios de guerra, destes últimos dois, o Bahia e o Camaquã, eram componentes da FNNE. Nas operações navais na Segunda Guerra Mundial, a Marinha do Brasil perdeu 486 homens.

m 6 de novembro de 1945, concluída a sua missão, as duas Forças regressaram ao Rio de Janeiro, a do Nordeste, sob o comando do Contra-Almirante Alfredo Carlos Soares Dutra, e a do Sul, sob o comando do Contra-Almirante Octavio Figueiredo de Medeiros. No dia 7 de novembro, embandeirados em arco, as guarnições dispostas pela borda e com vivas da Ordenança, os navios de guerra prestaram continência ao Presidente da República, Dr. José Linhares, seguiu-se desfile das guarnições dos navios que percorreu o seguinte itinerário: Rua Visconde de Inhaúma, Avenida Rio Branco, Rua 13 de Maio, Largo da Carioca, Rua Uruguaiana e, novamente Rua Visconde de Inhaúma e Arsenal de Marinha. O Jornal do Brasil, datado de 8 de novembro de 1945, ao noticiar o desfile, descreveu que “A cidade [Rio de Janeiro] viveu ontem um dos mais belos espetáculos que já lhe foi dado assistir”.
 
Composição das Forças:
FNN: CRUZADORES - 2 Bahia e Rio Grande do Sul
CORVETAS - 5 Carioca, Cabedelo, Caravelas, Camaquã e Cananéia (+3 EM 1944)
CAÇA-SUBMARINOS - 2 (+14 em 1943, sendo 8 csse Guaporé e 8 classe Javari, casco de madeira)
Tender Belmonte
CONTRAORPEDEIROS - 11 em 1944 (3 classe Marcílio Dias e 8 classe Bertioga)

O Bahia e o Camaquã acabaram sendo afundados durante a campanha, juntamente com mais um navio, totalizando 486 homens perdidos.

FNS: CONTRATORPEDEIRO - 1
CORVETAS - 2
 
fontes: https://www.marinha.mil.br/
 

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